Perdoa

Salmo da Verdade

por José Carlos de Souza

Uma oração sem pedido.

Este salmo nasceu de uma oração antiga, atribuída a Francisco de Assis. Eu não escrevi por vontade. Escrevi porque, em certo momento, a oração continuou sozinha — para dentro do silêncio.

Somos órfãos do mundo. Francisco já sabia disso. E o salmo não é um pedido — é um reconhecimento. Ele me faz chorar toda vez que leio. Não de tristeza. De gratidão eterna. Talvez faça você também. Se fizer, respire. As lágrimas também são uma forma de oração.

Este salmo não pede nada. Ele reconhece. Ele pode ser lido em silêncio, em voz alta, ou cantado. Ele é uma oração que não negocia — só entrega.

Amar sem ser amado,

respeitar sem ser respeitado.

Dar sem receber,

abraçar sem ser abraçado.

Abençoar sem ser abençoado,

ser grato sem receber gratidão.

Ser filho sem conhecer

a paternidade.

Assim é o Criador,

assim somos nós,

assim brilha a Verdade.

No silêncio do coração,

no repouso da mente:

tudo e nada,

unidade eterna.

Amém.

Salmo do Peregrino

Inspirado em Lao Tsé

O caminho de volta para casa.

Se você chegou até aqui, este salmo é seu. Reze com ele, caminhe com ele, volte a ele quantas vezes quiser.

Sem pressa, pelo caminho

sinto os meus irmãos

Em cada um, vejo:

· dores,

· suplício,

· dúvidas,

· solidão,

· às vezes até compaixão

Enfim, com respeito

Sou respeitado

Sou amado

Sou nutrido

Busco sempre o amor

Na aceitação,

No perdão,

Na gratidão

Assim, como a Mãe água, sempre

humilde,

sincero,

acolhedor, e

verdadeiro

Na busca do eterno perdão...

Áudio em preparação

Em breve, o Salmo da Verdade na voz do autor.